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Polícia Federal desarticula esquema de fraude no Caboprev e prende 22 pessoas

policia federal1A Polícia Federal (PF) deflagrou na última sexta-feira, 19 de outubro, a Operação Abismo, que desarticulou um esquema de fraudes no instituto de previdência de Cabo de Santo Agostinho, o Caboprev. O instituto pernambucano teria transferido, em outubro do ano passado, R$ 92 milhões aplicados em fundos da Caixa para cinco fundos pertencentes à gestora Terra Nova.

Os R$ 92 milhões aplicados pelo instituto nos cinco fundos da Terra Nova correspondem a 50% dos recursos totais do Caboprev, cujo patrimônio é de R$ 194 milhões. Os fundos, que incluem fundos de renda fixa, crédito privado e multimercados, tem metade dos seus ativos em títulos públicos e a outra metade em operações de crédito privado, preponderantemente em papéis das empresas Bittenpar e M.Invest, seja diretamente ou através de cotas de outros fundos.

Segundo comunicado da Secretaria de Previdência, os fundos investidos seriam “compostos por ativos podres”. O comunicado da secretaria diz ainda que “foram coletados indícios de que a alteração na carteira de investimentos do Instituto de Previdência foi efetuada por meio de ingerência indevida na administração daquele órgão, em razão do oferecimento de vantagem irregular”.

A Operação Abismo envolveu 220 policiais federais, que cumpriram 64 ordens judiciais sendo 42 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de prisão temporária. Além de Pernambuco, as ações ocorreram nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal.

A empresa de consultoria do Caboprev, a Lema Economia e Finanças, disse que não tem nada a ver com o caso. “Os investimentos nos fundos são anteriores ao nosso contrato”, limitou-se a dizer o consultor da Lema, Vitor Leitão. Ele explicou que a empresa assumiu a consultoria do instituto há apenas 40 dias, depois portanto que ocorreram as operações de transferência dos recursos da Caixa para a Terra Nova. Segundo Vitor, outros cinco RPPS do Nordeste investiram em fundos da Terra Nova, mesmo com a desaprovação da sua consultoria. “São alocações menores, mas nos mesmos fundos problemáticos”.

Dos cinco fundos que receberam os aportes do Caboprev, quatro receberam as aplicações na data de 31 de outubro do ano passado. O quinto recebeu aportes em duas datas distintas, sendo a primeira no dia 25 de outubro e a segunda também em 31 de outubro do ano passado. Há suspeitas de que os desvios de recursos estariam relacionados com a formação de Caixa 2 para sustentar campanhas eleitorais deste ano.

Os fundos aplicados pelo Caboprev são os seguintes: Terra Nova Ima-B Fic Renda Fixa; Premium Ima-B Fic Renda Fixa; Premium Fic Renda Fixa Crédito Privado; Terra Nova Ima-B II Fic Renda Fixa; Terra Nova Fic Multimercado Crédito Privado.

 

Nova diretoria - Uma nova diretoria foi empossada no instituto, em substituição a presidida por Celia Veronica Emidio, que deixou a entidade. Procurada por este site, a nova diretoria do Caboprev não quis se manifestar.

Também a direção da gestora Terra Nova, procurada por este site, disse que não iria se pronunciar uma vez que a gestão dos fundos havia sido transferida para a Bridge, empresa que no passado recente esteve envolvida em outras operações da Polícia Federal por suspeitas de fraudes contra institutos de previdência. A Bridge, que já era contratada da Terra Nova para fazer a administração fiduciária dos seus fundos, passou a ser também a custodiante quando os recursos deixaram a gestão e a custódia da Caixa no final do ano passado. Em maio deste ano, em decorrência dos problemas enfrentados pela empresa, ela foi comprada pela Um Investimentos.

Segundo o representante da Terra Nova, a Bridge concentrará temporariamente a gestão dos cinco fundos, paralelamente à administração fiduciária e custódia. Assim que achar um gestor a Bridge abrirá mão da gestão, concentrando apenas a administração fiduciária e a custódia.  O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que autorizou a operação, também autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores depositados em contas em nome dos investigados