Regimes Próprios

Manaus Previdência busca recuperar investimentos em fundos problemáticos, entre eles o Eco Hedge

Flavio Castro Manaus PrevidênciaO regime próprio da cidade de Manaus tem feito esforços recentes para recuperar investimentos de cerca de 14 fundos que são considerados problemáticos dentro de sua carteira de investimentos. No início de maio, o comitê de investimentos da Manaus Previdência se reuniu para debater a situação de um desses fundos, o Eco Hedge Multimercado, e definir o melhor encaminhamento para que a recuperação do montante de R$ 23,7 milhões investido pelo RPPS em 2012 seja efetivada. 

De acordo com o superintendente de investimentos da Manaus Previdência, Flavio Castro, esse fundo foi constituído em 2012 como parte do projeto de reestruturação portuária do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. “O fundo Eco Hedge é classificado como multimercado, mas tem algumas Cédula de Crédito Imobiliário relacionadas que foram emitidas com intuito de fomentar um projeto de revitalização de um edifício no Porto Maravilha, na cidade do Rio de Janeiro”, explica Castro.

O executivo destaca que a ideia era modernizar o prédio e depois alugar ou vender salas. Porém,  a execução das obras não foi concluída, tampouco a revitalização da região foi finalizada. “O recurso captado acabou e a obra está em cerca de 86% de conclusão, mas precisaria de mais recursos para finalizar. Por ser uma operação estruturada entre devedora e incorporadora, a devedora alega não ter esses recursos”, salienta.

O fundo era gerido inicialmente pela Drachma e após uma assembleia de cotistas realizada em 2016, a gestora foi destituída e o fundo passou a ser gerido pela Brasil Plural. “A partir desse momento, a Brasil Plural chamou a devedora para verificar o cronograma das obras, a construtora voltou a trabalhar no prédio, mas depois de alguns meses, disse não ter mais recursos em caixa e a obra parou novamente.

A Brasil Plural tentou negociar, inclusive por vias extrajudiciais, mas a devedora propôs que o pagamento das sete CCIs que estão em aberto seja trocado pelo prédio, que seria incorporado pelo patrimônio do fundo, e assim a gestora trabalharia a possibilidade de vendê-lo e distribuir o valor da venda aos cotistas, encerrando o fundo”.

 

Avaliação - Flavio Castro diz que a proposta foi bem recebida pelo RPPS de Manaus, desde que o valor da venda do prédio esteja de acordo com o valor de avaliação do mesmo, que deve ser por volta de R$ 100 milhões. Contudo, por deter apenas 18% do fundo, a Manaus Previdência depende ainda da aprovação dos outros cotistas em relação à proposta, sendo que o maior deles é o regime próprio do estado do Tocantins, que detém 77% do fundo. “Qualquer decisão que Tocantins tomar será vencedora. Chegamos a conversar com a equipe de gestão de investimentos do instituto, que tinha um posicionamento firme de não aportar mais nada ao fundo e buscar solução por vias judiciais, mas recentemente houve uma mudança de governo no Tocantins, e consequentemente uma mudança na equipe do RPPS, e ainda não sabemos o posicionamento deles em relação a essa proposta”, destaca Castro.

Caso a proposta feita pela devedora do fundo não seja aceita, a outra linha de ação da gestora e dos RPPS para tentar recuperar os valores seria ingressar judicialmente, tentando executar a garantia e ganhando o edifício, que iria para leilão judicial. O prédio, assim, seria vendido e o valor seria distribuído entre cotistas. “Pela experiência da gestora, esse processo de penhora costuma demorar 5 anos ou até mais. Se não aceitarmos uma proposta de pagamento, teríamos essa outra opção, mas arcaríamos com custos e a demora, correndo o risco de depois de anos, vender o prédio por um valor abaixo do valor de mercado”, destaca Castro.

Segundo ele, uma assembleia de cotistas está marcada para o dia 23 de maio com exposição dos votos e, em sendo aprovada a proposta, o imóvel será transferido ao patrimônio do fundo. “Não sendo aceita a proposta, a gestora pedirá um aporte de capital no fundo para que tenha condições financeiras de contratar um escritório de advocacia e ingressar com ações judiciais”, complementa.

 

Outros fundos - Além do Eco Hedge Multimercado, a Manaus Previdência trabalha na recuperação de outros fundos, sendo que já concluiu o recebimento do valor integral aportado nos fundos BVA Master FIDCs I e BVA Master FIDCs II, nos quais investiu R$ 15 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente, em 2010. “Já recebemos R$ 16,8 milhões relativos ao fundo I e R$ 10,6 milhões sobre os aportes do fundo II”, diz Flavio Castro. A gestora que atua na recuperação dos créditos desse fundo também é a Brasil Plural.

No final do ano passado, a Manaus Previdência também recebeu R$ 10 milhões relativos aos investimentos realizados no fundo Piatã, no qual detém 25% de participação. “Esse fundo recuperou R$ 40 milhões com diversos pagamentos, sendo um deles a debênture da da empresa de tecnologia ITS, além de aluguéis depositados em conta vinculada ao fundo, entre outros”, diz Castro. O fundo era gerido pela Incentivo e administrado pela Gradual Investimentos, e hoje também está sob a gestão da Brasil Plural.

Flavio Castro reitera que todos os 14 fundos em fase de recuperação de ativos foram aplicados durante gestões anteriores, entre os anos de 2008 e 2012. “Em todos os fundos a Manaus Previdência faz, há alguns anos, um trabalho de identificar os gestores que estavam agindo com morosidade na cobrança das dívidas. Algumas assembleias já destituíram esses gestores e colocaram outro mais atuante, com mais expertise, para identificar os problemas dos fundos e tentar recuperar valores”, complementa.