Sistema da ComDinheiro já é usado por quatro institutos

A consultoria ComDinheiro, que disponibiliza informações sobre o mercado de investimentos e fundos, assinou contrato com o RPPS de Jundiai. Com isso, já são quatro os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) que tem contrato com a consultoria, informa o analista de negócios da ComDinheiro, Filipe Ferreira. Segundo ele, hoje a plataforma já está rodando nos RPPS de Barueri, Jacarei, Jundiai e Manaus.

O sistema da Com Dinheiro, além de disponibilizar as bases de dados que permitem ao RPPS fazer análises e traçar suas estratégias de investimento, também entrega uma consolidação das carteiras que os institutos devem enviar regularmente ao Tribunal de Contas. “Nosso sistema gera os relatórios e faz os serviços burocráticos, permitindo aos dirigentes do instituto usar seu tempo com outras atividades mais analíticas”, explica Ferreira.

 

Consultoria avalia que maior parte das entidades não conseguirá bater a meta atuarial neste ano

CalamiaRenanParEngFinanceira 17junDos cerca de 40 regimes próprios atendidos pela Par Investimentos, empresa de sistemas de acompanhamento de investimentos que atua no segmento de RPPS, menos de 10 conseguiram superar a meta atuarial do primeiro semestre. Segundo o consultor da Par, Renan Calamia, a maior parte dos institutos tem conseguido performar apenas 60% da meta atuarial do período. “Acredito que a maior parte dos RPPS não vão conseguir bater suas metas em 2018, a prioridade deles está sendo manter o que foi acumulado nos anos anteriores”, diz.

Segundo o consultor, os RPPS que tem conseguido superar suas metas neste ano têm, em geral, posições maiores no segmento de estruturados. Ele nota que a demanda dos clientes por FIPs e FIDCs caiu drasticamente após a nova resolução de investimento que se tornou mais rigorosa quanto a aplicação dos RPPS em fundos dessas classes. “A resolução anterior permitia até coisas demais, só que a nova acabou fechando praticamente todas as torneiras, sendo quase impraticável para um instituto que precisa obter retorno compatível com seus compromissos atuariais”. O consultor pondera que, entre os estruturados, os fundos imobiliários são os que mantém maior apelo junto aos investidores no momento.

Diante da escassez de alternativas de investimento para esse público, a renda variável segue como um das principais recomendações da consultoria. “Por conta dos bons resultados entregues pela bolsa nos últimos dois anos o interesse dos institutos por renda variável aumentou bastante na virada de 2017 para 2018”, diz o especialista, que ressalta, por outro lado, que o desempenho mais recente da Bovespa reduziu o apetite dos institutos pelos ativos.

Os multimercados, até por conta do aumento do limite de 5% para 10% com a nova resolução, registraram um forte aumento na procura por parte dos RPPS nos últimos meses. “O problema dessa classe  é que a maior parte dos fundos disponíveis para os institutos de previdência não oferecem um prêmio tão alto comparado com a taxa de juros, ficando ao redor de 105% do CDI, e com um risco relativamente alto”.

Calamia diz ainda que, por conta da portaria 577 da Secretaria de Previdência, de dezembro de 2018, que permitiu aos RPPS fazer a marcação na curva dos títulos públicos desde que comprovada a liquidez suficiente para isso, tem recebido dos clientes uma série de questionamentos sobre as oportunidades na renda fixa. “Com as NTN-Bs voltando a pagar 6%, o que já está acontecendo em alguns casos, estamos sugerindo uma alocação nesses papéis como forma de diversificar e reduzir a volatilidade da carteira”.

BRPrev é a primeira consultoria atuarial a se associar à Acinprev. Entidade espera outras

SterenbergCelsoPlena 16ago 23BrunaNishihataA Associação das Consultorias de Investimentos e Previdência (Acinprev) vai estender sua área de atuação e abrigar em seu quadro de associados também consultorias atuariais de regimes próprios de previdência social (RPPS). Até então, a associação trabalha apenas na parte de investimentos. “Desde o início, alguns associados defendiam a tese de que a consultoria abrigasse também os atuários ligados a regimes próprios”, diz o presidente da Acinprev, Celso Sterenberg. “É importante ter um debate permanente das consultorias atuariais a respeito de estudos de ALM, solvência, duration dos RPPS, ou seja, um debate de longo prazo”, ressalta.

A primeira consultoria atuarial a se associar à Acinprev foi a BRPrev. Localizada em Porto Alegre (RS), a consultoria atua com 110 regimes próprios localizados em 18 estados. As conversas entre a consultoria e a Acinprev começaram há cerca de seis meses, quando a associação já estava realizando alterações em seu estatuto para abrigar também o segmento atuarial em seu quadro de associados. Um dos pontos a serem debatidos na associação é a valorização dos profissionais da área atuarial dos regimes próprios, diz o sócio da BRPrev, Pablo Bernardo Machado Pinto. “Verificamos que a secretaria de Previdência e os Tribunais de Contas estão fiscalizando cada vez mais os RPPS e reforçamos que o papel do atuário tem que mudar dentro desses institutos de previdência”, destaca Pinto.

Segundo o atuário, mais de 70% dos RPPS fazem contratos anuais com empresas do segmento atuarial, o que, na sua avaliação, ainda indica uma baixa frequência com a qual os institutos têm realizado sua avaliação atuarial. “Os RPPS fazem o controle atuarial uma vez por ano. É comum vermos que, depois desse período, eles fazem um novo concurso ou reclassificação atuarial com uma empresa diferente, o que impede com que haja uma medida do impacto do equilíbrio financeiro atuarial a cada avaliação”, explica.

 

Outras consultorias - Segundo Celso Sterenberg, além da BRPrev outras consultorias atuariais também estão interessadas e em fase aprovação para se associar à Acinprev. “Na próxima reunião da associação, programada para junho, já teremos as novas consultorias e começaremos a discutir como essa agenda terá andamento”, explica. Segundo ele, a ideia é manter um contato com o Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) para tratar da valorização dos serviços atuariais dentro dos RPPS.

Além disso, a associação deve manter um diálogo próximo com o governo para dar andamento às questões pertinentes que forem discutidas neste âmbito “O movimento maduro é ter a iniciativa privada mais organizada para articular com órgãos reguladores. A partir disso, podemos interagir e levar as demandas. Vamos nos organizar e fazer agenda com esses órgãos para trabalharmos juntos nessas demandas”, destaca.

 

Investimentos - No próximo dia 30 de maio, a Acinprev terá reunião com a  secretaria de Previdência para tratar dos investimentos dos regimes próprios. Celso Sterenberg explica que a ideia da reunião é falar sobre uma estratégia para redução dos déficits atuariais dos RPPS a partir da cessão ou venda de ativos das prefeituras e governos. “Os entes podem fazer uma cessão de terrenos para cobrir o déficit de institutos caso estudos demonstrem que os ativos possuem um valor mais alto que o déficit atuarial do RPPS”, diz Sterenberg.

Segundo ele, esse assunto já está amadurecendo, mas é preciso mais celeridade para que esses projetos tenham andamento. “Queremos fomentar a monetização de ativos para redução dos déficits dos RPPS e fazer com que essa agenda seja indutora. Se a secretaria colocar isso como pauta prioritária do seu dia a dia a reposta dos entes poderá ser mais rápida, se não colocar e aguardar uma ação isolada por parte do mercado e da iniciativa privada, a resposta será mais lenta”, ressalta.